Além de recorde de vendas e muitas críticas negativas, Cyberpunk 2077 trouxe à tona a temática cyberpunk nos jogos de videogame e PC. 

Assim sendo, tanto quem já conhecia o estilo ou passou a conhecer graças ao título da CD Projekt Red, não deixe de conferir outros cinco jogos cyberpunk.

Mas, antes, entenda mais sobre como surgiu o termo e quais os aspectos o caracterizam. Além disso, entenda o que rolou com Cyberpunk 2077 durante o pré-lançamento e o lançamento oficial.

Cena de um jogo cyberpunk em 64-Bits Cena de um jogo cyberpunk em 64-Bits

O que é o estilo cyberpunk?

Com a junção das palavras “cibernético” e “punk”, nasce, em 1980, o subgênero da ficção científica chamado cyberpunk. 

Em síntese, o termo, criado pelo escritor Bruce Bethke, caracteriza um futuro distópico, em que a qualidade de vida é precária, mas a tecnologia é extremamente avançada. 

Pelo menos, essa era a descrição presente em "Cyberpunk", seu conto publicado em 1983, na revista Amazing Stories.

Baseado na temática desenvolvida por Bethke, o escritor William Gibson lançou, após quatro anos, o livro “Neuromancer” e ofereceu ao público uma descrição maior em relação aos indivíduos que habitavam esse futuro distópico. 

Em suma, são pessoas solitárias, que lutam para sobreviver enquanto vivem às margens da sociedade. Já quem possui um vasto conhecimento em relação às tecnologias, como Case, protagonista de “Neuromancer”, cria estratégias para derrubar o sistema vigente. 

O resultado foi que essa visão underground envolvente da sociedade, desenvolvida como forma de oposição à utopia presente na ficção científica literária da época, foi ganhando espaço.

Por consequência, a temática expandiu as páginas dos livros e começou a aparecer em produções cinematográficas, a exemplo de Blade Runner e Matrix, na indústria musical, na moda e, é claro, como ambientação para jogos de tabuleiro, computador e RPG.

Rapaz jogando um jogo Cyberpunk no celular Rapaz jogando um jogo Cyberpunk no celular

O que é um jogo cyberpunk?

A maior parte da narrativa de jogos é construída a partir dessa ambientação “High tech, Low life”, em que megacorporações tecnológicas destruíram o Estado e tornaram-se o centro do poder. À vista disso, infiltraram a internet em todo e qualquer aspecto da vida cotidiana. 

Ainda sobre a narrativa, ela costuma se relacionar com a literatura dos anos 1980. Isso é, como jogador, você é um personagem (ou faz parte de um grupo) com habilidades tecnológicas extremas (hacker) que possui o intuito de inverter a lógica social que está em vigor. 

Ademais, a ambientação dos títulos cyberpunk é extremamente característica: 

  • Cenários urbanos sombrios;
  • Escuros;
  • Sujos;
  • Luzes neon por todos os lados. 

Já os personagens, sejam eles jogáveis ou NPCs, são caracterizados pelo comportamento e vestimenta Punk. Dependendo do jogo, eles possuem o corpo constituído por partes orgânicas e cibernéticas. 

Mas, lembre-se: sempre haverão exceções em relação à ambientação, condução da narrativa e jogabilidade.

Cena do jogo Cyborg Cena do jogo Cyborg

Qual é o primeiro jogo cyberpunk?

É difícil acreditar, mas “Blade Runner” e “System Shock” não foram os primeiros jogos cyberpunk do mercado, tampouco “B.A.T.” ou “B.A.T. II – The Koshan Conspiracy”. 

De acordo com o Guinness World Records, o título vai para “Cyborg”, publicado pela Computer Shack, em 1982. 

O jogo era uma aventura text-only (somente texto, em tradução livre), no qual o jogador tornava-se um ciborgue após fundir-se com uma inteligência artificial

Há rumores de que “Cyborg” inspirou as séries “Syndicate” e “Deus Ex”, bem como o jogo “Bioforge”, desenvolvido pela Origin Systems e lançado em 1995 para Microsoft Windows, DOS, MS-DOS.

Quantos jogos cyberpunk existem?

Há mais de 50 títulos com essa temática, de acordo com o Google. No entanto, o termo inventado por Bruce Bethke e William Gibson é muito explorado por desenvolvedores independentes, logo, seria audacioso saber o número exato de títulos. 

Enfim, depois de reviver o passado e esclarecer o que é a temática cyberpunk, está na hora de mencionar o jogo cyberpunk mais popular do momento, assim como entender o percurso instável de Cyberpunk 2077.

O que aconteceu com o jogo Cyberpunk 2077?

Cena da abertura do jogo Cyberpunk 2077 Cena da abertura do jogo Cyberpunk 2077

Antes de qualquer informação, “Cyberpunk 2077” é um single-player que mistura RPG e first player-shooter. A narrativa é ambientada em Night City, uma megalópole obcecada por poder e modificação corporal, constituída por seis regiões:

  • Centro da Cidade;
  • Watson;
  • Westbrook; 
  • Heywood;
  • Pacífica;
  • Santo Domingo. 

No modo campanha, você é V, um mercenário que pode adquirir desde habilidades de um hacker e de combate corpo a corpo até um arsenal de armas e maquinários. 

Ademais, o personagem pode ter três rumos de vida: nômade, marginal ou corporativo, e o seu objetivo é encontrar um protótipo de implante que garantirá sua imortalidade.

“Cyberpunk 2077” foi desenvolvido pela CD Projekt Red, responsável pela série “The Witcher”, e é aqui que começa o problema: as expectativas do público antes de ele ser lançado estavam altíssimas.

Prova disso é que, somente na pré-venda, o jogo bateu oito milhões de cópias vendidas. No entanto, a felicidade parou por aí. Visto que inúmeros bugs relacionados a travamentos começaram a ocorrer, especialmente nos consoles Xbox One, One S e PS4.

Por consequência, as ações da CD Project Red entre os dias quatro e 10 de dezembro, data de lançamento oficial do jogo, caíram cerca de 30%, de acordo com a Games Industry

Não somente, as reclamações foram tantas que a CD Projekt Red publicou, através do Twitter, um pedido de desculpas pelos problemas técnicos e avisou aos consumidores que eles poderiam solicitar reembolso. 

Mais do que justo, não é? Na verdade, não.

Isso porque a CD Projekt Red não fez um acordo prévio de reembolso com a Sony e a Microsoft. Logo, os reembolsos não foram aceitos pelas empresas e, dessa forma, a desenvolvedora conseguiu o que, aparentemente, queria: repassar a culpa. 

Ou seja, “Cyberpunk 2077” foi do sucesso ao fracasso em pouquíssimo tempo por lançá-lo antes do tempo e tornou-se uma chance para empresas como Microsoft e Sony reverem seus processos de certificação.  

Por fim, se mesmo assim você deseja conferir “Cyberpunk 2077”, o conselho é jogá-lo no PC gamer. Afinal, os bugs por lá não afetam tanto a jogabilidade.

Quais os melhores jogos cyberpunk?

Mesmo com a CD Projekt Red enfrentando diversos problemas, não há dúvidas acerca do sucesso comercial de “Cyberpunk 2077”. E quando algum jogo se torna referência, é natural que ele ofusque outros do mesmo estilo.

Assim sendo, reunimos uma lista com outros cinco jogos cyberpunk, de gêneros distintos, para garantir que você tenha acesso a títulos que não são tão mencionados e, inclusive, são mais recentes.

Em outras palavras, não espere por jogos clássicos (e incríveis) da temática cyberpunk, tais como: 

  • Remember Me;
  • Far Cry 3: Blood Dragon;
  • System Shock 2;
  • Blade Runner
  • Shadowrun. 

Afinal, o objetivo desta lista é ceder espaço às novas produções, beleza?

5. VA-11 Hall-A: Cyberpunk Bartender Action

Cena da abertura do jogo VA 11 Hall Cyberpunk Cena da abertura do jogo VA 11 Hall Cyberpunk

Plataformas: PS4, PC, Linux, macOS e Nintendo Switch.

A maioria das histórias com temática cyberpunk mostra, pelo menos uma vez, o personagem principal do jogo em um bar iluminado com luzes de néon, com o intuito de angariar informações misteriosas.

À vista disso, a desenvolvedora Sukeban Games resolveu criar um jogo indie de simulação que se passa, o tempo todo, em um pequeno bar, o “VA-11 Hall-A”, em um centro urbano distópico. 

A principal característica do “VA-11 Hall-A” é a de atrair as pessoas mais fascinantes da cidade e resta a você, como barman, fazer e servir bebidas, enquanto ouve as histórias dessas pessoas. Quanto melhor você for em sua função, mais os clientes vão compartilhar experiências, fazendo com que você avance na narrativa. 

Por fim, “VA-11 Hall-A: Cyberpunk Bartender Action” é um jogo single-player que foi lançado em diferentes momentos, conforme a plataforma. A última versão do título chegou para PS4 em maio de 2019. Um ano antes, o Nintendo Switch havia recebido a sua.

4. Observer

Cena do jogo Observer Cena do jogo Observer

Plataformas: PC, Linux, macOS, PS4, PS5, Xbox One, Switch Xbox Series X/S e Nintendo.

Depois de uma estética oriental, vamos para um visual assustador com o “Observer”, um first player-shooter do gênero survival horror, desenvolvido pela Bloober Team, criadora da série “Layers of Fear”. 

Lançado em agosto de 2017, o jogo recebeu uma versão atualizada, em novembro de 2020, chamada “Observer: System Redux” para a PS5 e Xbox Series S/X

Sobre a história, “Observer” se passa em 2084, na Cracóvia, e quem comanda a Polônia é uma megacorporação chamada Chiron. 

Após uma espécie de vírus matar milhares de pessoas e despertar o uso desenfreado de drogas, uma unidade policial, conhecida como Os Observadores, é colocada em controle para hackear a mente dos habitantes mais insanos do local. 

No jogo, você se transforma no detetive Daniel Lazarski e interroga as pessoas através de um dispositivo chamado Dream Eater (Comedor de Sonhos, em tradução livre). O objetivo? Descobrir informações sobre o evento catastrófico. 

Ademais, os cenários são bem limitados e lineares. Ou seja, sem espaço para uma vasta exploração. No entanto, a ambientação não deixa a desejar e a atmosfera criada deixa você tenso o tempo inteiro.

3. Katana ZERO

Cena da abertura do jogo Katana Zero Cena da abertura do jogo Katana Zero

Plataformas: Nintendo Switch, macOS, PC e Xbox One.

O terceiro lugar fica com “Katana Zero”, um título indie 2D, com uma perspectiva de rolagem lateral e com uma jogabilidade e estética extremamente parecida com o game brasileiro “Dandara”.

Em “Katana Zero”, você controla o personagem Zero, um veterano de guerra que assassina pessoas indicadas por seu psiquiatra em troca de tratamento para sua amnésia. A história se passa na metrópole neo-noir de Nova Meca, sete anos após a Guerra Cromag.

Além de desempenhar golpes típicos de jogos Hack and Slash, Zero também consegue desacelerar o tempo e prever o futuro — habilidades que devem ser utilizadas de forma estratégica. O jogo apresenta 11 níveis. 

Desenvolvido por Justin Stander e publicado pela Devolver Digital, Katana Zero possui apenas o modo single-player e foi lançado para macOS, Nintendo Switch e PC em abril de 2019. Pouco mais de um ano depois, o Xbox One recebeu uma versão.

2. Transistor

Cena do jogo Transistor Cena do jogo Transistor

Plataformas: PS4, iOS, PC, Linux, macOS, Nintendo Switch e tvOS. 

O segundo lugar da lista fica com “Transistor”, um jogo indie desenvolvido pela Supergiant Games em parceria com a Confetti Inc. Lançado em 2014, recebeu três indicações: duas do The Game Award e uma do BAFTA Video Games Award.

Transistor é um RPG que mistura estratégia, aventura e, no fundo, é uma grande história de amor — se você jogar, entenderá. 

No jogo, você assume o papel da cantora Red que, depois de quase ser morta com uma arma desconhecida, passa a utilizá-la para lutar contra a elite que domina a cidade decadente.  

Além disso, um ano após ser lançado para consoles e PC, Transistor ganhou uma versão para iOS e o selo de “Escolha do Editor” na loja da Apple. Portanto, se você gosta de jogar pelo celular, já sabe qual será o próximo download.

1. Deus Ex: Human Revolution

Cena do jogo  Deus Ex: Human Revolution Cena do jogo  Deus Ex: Human Revolution

Plataformas: PC, macOS, Wii U, Xbox 360 e PS3.

É muito difícil escolher apenas um título da franquia cyberpunk mais importante da história dos videogames, mas o primeiro lugar da lista fica com “Deus Ex: Human Revolution”, lançado em 2011.

Além de ser extremamente bem recebido pelo público e crítica especializada, obteve quatro indicações no BAFTA Video Games Award e outras três no prêmio VGX.

Desenvolvido pela Eidos Montréal, o terceiro título principal da série mistura RPG, first person-shooter e roubo. 

Ao jogá-lo, você assume o papel de Adam Jensen, um ex-especialista da SWAT extremamente parecido com Neo, personagem de Matrix, que possui implantes cibernéticos.

E aí, gostou dos cinco jogos cyberpunk recomendados ou ficou com a sensação de que está faltando algum título? Compartilhe nas redes sociais e comente quais são os seus favoritos.

Até mais!

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