25.05.21

E-sports: como acompanhar e se tornar um pro player

Jogos eletrônicos é um mercado em alta e extremamente lucrativo. Descubra aqui o que é e como se tornar um pro player.

À primeira vista, e-sports poderia ser classificado como uma indústria de bilhões de dólares, mas, ainda assim, deixaria brecha para muitas dúvidas. Portanto, e-sports, também referenciado como esporte eletrônico, são competições organizadas de jogos de videogames.

O que são e-sports?

Competidores de diferentes ligas, seja de forma individual ou em grupo, enfrentam-se em jogos populares, como League of Legends (LOL), Fortnite, Counter-Strike, FIFA, para citar alguns, e são acompanhados por milhões de fãs que veem seus jogadores favoritos em tempo real, os quais passam de jogadores casuais para estrelas — arrecadando muito dinheiro. 

Em outras palavras, é um mercado lucrativo, não apenas para os jogadores, mas também para marcas e estúdios que desenvolveram os jogos disputados nessas competições. Assim sendo, muitos ídolos do futebol tradicional, como Casemiro, David Beckham, Daniel Alves e Sergio Agüero, investem em times de e-sports. 

Com o “Good Grazy”, Alves deseja ingressar em jogos como FIFA, League of Legends, Clash Royale e F1. Já Casemiro montou uma lineup (equipe) para Counter-Strike: Global Offensive e o time chama-se “Case Esports”.

Da mesma forma, esse tipo de movimento acontece com as marcas — há mais tempo, talvez. O e-commerce KaBuM! investe, com o auxílio de patrocinadores, no KaBuM! e-Sports, com uma lineup dedicada ao jogo League of Legends (LOL). Já a Netshoes adquiriu a Netshoes E-Sports (NSE), a Kalunga, a Red Canids Kalunga e a Vivo aposta no Vivo Keyd.

Imagem de time Vivo Keyd

Qual foi o primeiro torneio?

Para essa pergunta não há exatamente um consenso. Para alguns, a primeira vez que um torneio de e-sports apareceu para o público foi no EA Madden em Jacksonville, cidade mais populosa da Flórida. 

Já outros voltam no tempo, mais precisamente em outubro de 1972, e consideram que, depois de um grupo de alunos da Universidade Stanford, na Califórnia, organizarem um torneio, a empresa Atari, anos depois, foi responsável por organizar a primeira grande competição da história. O campeonato se chamava Space Invaders e atraiu 10 mil jovens dos Estados Unidos. 

“Desde então, com a evolução da tecnologia e da internet, as competições de jogos eletrônicos ganharam fôlego nas lan houses e se popularizaram para além da América do Norte”, finaliza o site ESPN.

Como acompanhar e-sports

Os campeonatos podem ser acompanhados presencialmente, pela TV, através de canais como SporTV, ESPN e Bandsports ou online, por meio de diversas plataformas de streaming, como YouTube, que dispensa apresentações, Twitch, lançada em 2011, entre outras.

E vale destacar que eles têm chamado cada vez mais atenção. A final do campeonato mundial do LOL (League of Legends) de 2018, por exemplo, contou com 99,6 milhões de espectadores, superando a final do futebol americano, o Super Bowl, maior evento esportivo dos EUA. Foi um marco para o e-sports. Inclusive, a indústria do streaming está diretamente associada ao e-sports. Não está muito por dentro desse “estrangeirismo”?

LEIA MAIS

É claro que as plataformas mencionadas não servem apenas para campeonatos de jogos eletrônicos, uma vez que marcas, produtores de conteúdo e anônimos fazem uso delas para as mais diversas finalidades — principalmente, tratando-se de YouTube. 

Ainda assim, são um dos quatro pilares que caracterizam o e-sports, junto com “os jogadores, as empresas de games e as ligas”, conforme o Globo Esporte.

Ou seja, há várias formas de acompanhar os jogos e talvez esse seja um dos motivos que auxiliam na disseminação da modalidade no mundo. No Brasil, de forma específica, e na América Latina, o conhecimento sobre e-sports cresceu nos últimos quatro anos, principalmente entre os mais jovens.

Pelo menos é o que afirma a Pesquisa Game Brasil (PGB), divulgada em 2021, que apresenta dados relevantes sobre o comportamento e os hábitos dos jogadores latinos. Entre 12.498 brasileiros entrevistados, 63% das pessoas já ouviu falar sobre a modalidade, em oposição apenas a 36% que desconhecem.

Inclusive, em 2020, o Brasil conquistou a terceira maior audiência no mundo com 21,2 milhões de espectadores. Apenas atrás da China e dos Estados Unidos. 

A mesma pesquisa destaca que os brasileiros assistem, em sua maioria, um número superior a três horas semanais de partidas com transmissão ao vivo. Ou seja, o número de pessoas que conhece só cresce; o de telespectadores também. “Os mais jovens sonham em seguir a carreira como pro players”, complementa o estudo.

“Pro players”? Aperta o pause aí. Você pode estar se perguntando o que significa ser um pro player.

Imagem de jogador de e-sports

Pro player de e-sports

Além das plataformas de streaming, um dos principais pilares do e-sports é o(a) jogador(a) profissional (pro player, em tradução livre). E, pelo visto, é uma profissão que possui bastante potencial para se tornar disputada no futuro — convenhamos, não há nada mais tentador do que ganhar dinheiro jogando videogame.

Ainda mais se considerarmos que 72% dos brasileiros possuem o costume de jogar, independentemente da plataforma, e 79% afirmam que jogos estão entre suas principais formas de diversão hoje, ainda de acordo com a PGB21.

Claro que nem todos possuem a ânsia de se tornar profissional, mas já deu para entender o potencial da indústria e que a concorrência será minimamente grande. Assim sendo, a pergunta que vale um milhão de reais é: como ganhar a vida como pro gamer? E e-sports dá dinheiro?

A resposta para a primeira pergunta não é complicada; tampouco única. A segunda, vale um milhão de dólares e é por isso que ficará para depois — suspense no ar.

Ilustração de E-sports

Ganhar a vida com e-sports pode acontecer de diversas formas. Para Eli Gallagher, jogador profissional de Overwatch para a Evil Geniuses (EG), foi possível depois de ser observado por um olheiro (caçador de talentos) — sim, bem como nos esportes tradicionais. 

O recrutador percebeu nele uma capacidade especial para a modalidade First-Person Shooter (FPS) ou, em português, Tiro em Primeira Pessoa.

“Comecei a jogar casualmente e um olheiro me escolheu por me considerar um ótimo jogador. Postei em um serviço de chat que gamers usam, o Discord, à procura de uma equipe e fui abordado por um treinador. Depois de passar por vários times amadores e no time East Wind, terminei com Evil Geniuses”, explica Gallagher ao TechRadar.

Já com o brasileiro Lucas Gonçalves, vulgo LucasRep, a história foi um pouco diferente. Antes de se tornar vice-campeão do Miami Regional Ultimate Team Championship jogando o simulador FIFA, e de ser um dos primeiros investimentos em e-sports do Goiás Esporte Clube, ele se tornou um pro player depois de ganhar um campeonato presencial em um shopping, passar por campeonatos regionais e, então, tornar-se conhecido.

Eli Gallagher e Lucas Gonçalves tornaram-se pro players em diferentes contextos. Entretanto, ambos se especializaram em um jogo e, por consequência, em uma modalidade, ficam de olho em oportunidades e treinam com frequência — Gallagher menciona que joga Overwatch dez horas por dia.

“Um pro player tem uma rotina de treinos baseada em melhorias individuais e coletivas. Ele não joga apenas por jogar, sempre busca evoluir dentro das necessidades que possui. Além disso, ele sabe ouvir as dicas dos treinadores e aplicá-las na hora do jogo”, conclui a Confederação Brasileira de e-sports (CBeS).

Torne-se um pro player

Agora que você sabe como a roda gira ou como ela pode girar, comece acompanhando torneios, presencialmente ou via streaming, para observar táticas e estratégias utilizadas por jogadores profissionais, e trocar conhecimentos com outros telespectadores. Também escolha um jogo que você gosta e que não se importaria em passar horas explorando-o.

Imagem de computador gamer

E-sports: principais jogos

Já que estamos falando de games, vamos explorar os títulos mais populares no cenário de e-sports, bem como suas respectivas modalidades. League of Legends, por exemplo, foi o jogo mais assistido de 2021 (na plataforma Twitch) tendo em mente conteúdos diretamente relacionados aos campeonatos de e-sports.

O jogo desenvolvido da Riot Game passou Counter-Strike: Global Offensive, Rocket League e Defence of the Ancients 2 (Dota 2), de acordo com os dados da Newzoo, empresa focada em pesquisas acerca do cenário gamer. Ademais, vale salientar que o panorama de e-sports não considera apenas as plataformas tradicionais, como computadores ou consoles. Jogos desenvolvidos para mobile estão dentro da disputa também. 

Até porque, pelo menos para os brasileiros, 42% consideram o smartphone a melhor plataforma para jogar, seguindo a tendência dos últimos anos, analisada pela PGB21. Assim sendo, o Vivo Keyd, a título de exemplo, possui uma lineup dedicada à PUGB Mobile. Enfim, vamos aos jogos e suas respectivas modalidades.

Imagem de jogo League of Legends

League of Legends (LOL) e Defence of the Ancients 2 (Dota)

Ambos enquadram-se na modalidade MOBA (Multiplayer Online Battle Arena), um jogo de estratégia do gênero Role Playing Game (RPG), em que dois times se enfrentam com um objetivo em mente: conquistar a base principal do oponente.

Desenvolvida pela Riot Games, LOL possui muitos jogadores, profissionais ou não, e se você quiser investir nele, assista aos vídeos da equipe chinesa, Suning, contra a vencedora do Campeonato Mundial de League of Legends 2020, a sul-coreana DAMWON Gaming (DWG KIA). É de arrepiar. 

No entanto, se é Dota 2, da Valve Corporation, que faz o seu olho brilhar, não dá para deixar de acompanhar a performance da equipe chinesa, Invictus Gaming, bem como a Team Secret, equipe da Europa. 

Imagem de jogo de RPG

Fortnite, PlayerUnknown's Battlegrounds (PUGB) e Free Fire

Eis os três jogos principais da modalidade Battle Royale. Também conhecida como batalha real, os jogos operam na lógica da sobrevivência. Isso significa que, ao começá-lo, o gamer ou grupo deve explorar um território (ilha ou mapa) à procura de recursos, como equipamentos e armas, para conseguir sobreviver às investidas dos outros adversários.

A modalidade é tão popular que a Allegra Pacaembu, em conjunto com a holding BBL, anunciou a construção de uma arena, em São Paulo, voltada para a modalidade Battle Royale. “Serão três mil metros quadrados de área, com capacidade para dois mil espectadores”, segundo The Enemy.

Enfim, se a modalidade fisgou a sua atenção, basta escolher um dos três e aperfeiçoar-se. Também vale, no caso de Fortnite, desenvolvida pela Epic Games ou PUBG, assinada pela PUBG Corporation, acompanhar as respectivas equipes da organização americanaTSM (SoloMid).

Imagem de jogo Counter Strike

Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) e Overwatch

Tanto Counter-Strike quanto Overwatch possuem histórias prestigiadas no e-sports e estão “em campo” há um bom tempo, fazendo companhia, inclusive, para os consagrados Dota 2 e League of Legends. Apesar de serem diferentes, CS:GO e Dota 2 foram desenvolvidos pela mesma empresa, a Valve Corporation.

Sobre a modalidade, ambos se enquadram em First-Person Shooter (FPS), expressão em inglês para tiro em primeira pessoa, na qual o gamer observa a partir do mesmo ponto de vista do protagonista de CS:GO ou Overwatch e a vitória se consolida pelo cumprimento de uma missão ou aniquilação do time adversário.

Imagem de jogo PES2021

FIFA, Pro Evolution Soccer e NBA 2K

Esses são os três títulos que se tornaram referência na modalidade Simuladores porque, como o nome sugere, reproduzem características de esportes do mundo real, como basquete e futebol, em um jogo de videogame. 

Se você gosta de FIFA, assim como o Lucas Gonçalves, vulgo LucasRep, acompanhe o trabalho de Henrique ''Zezinho'' Lempke. O pro player alcançou as semifinais da eChampions League de FIFA 19. 

Bem como LucasRep, vale acompanhar o argentino Nicolas Villalba, conhecido como “nicolas99fc” ou o “homem de gelo” por não transpor suas emoções enquanto joga, e Stephanie, a “Teca”, 1ª campeã mundial de eFOOTBALL.
Por fim, há outras modalidades como Fighting, Cardgame e RTS, sigla para Real Time Strategy que não são, de forma alguma, menos importantes.

Boa conexão é fundamental para e-sports

Jogo escolhido? Hora de olhar de forma crítica para a qualidade da sua internet, pois você precisará de uma excelente velocidade de download e upload, bem como pin e jitter para garantir um jogo sem lag, conceitos importantíssimos tratando-se desse assunto. 

Por esse motivo, a Vivo preparou um conteúdo especial sobre a melhor conexão de internet, explicando essas e outras nomenclaturas. No entanto, a ansiedade bateu aqui e já adiantamos que, se houver a possibilidade de investir na Vivo Fibra, quanto mais mega, melhor.

Finalmente, você precisará de um espaço adequado para passar horas treinando, bem como Eli Gallagher, jogador profissional de Overwatch, relatou em seu depoimento. Da mesma forma, você precisará de acessórios gamers essenciais para jogar em casa e, então, treinar com frequência.

Imagem de time de e-sports

Entre em um time de e-Sports

Depois de acompanhar os torneios, investir em uma boa internet e bons acessórios, e selecionar um jogo — não necessariamente nessa ordem —, busque participar das seleções para entrar em times de e-sports, bem como em suas ligas. Isso porque eles costumam abrir processos seletivos para formar equipes de jogadores. 

No Brasil, há o Vivo Keyd, por exemplo, que conta com uma área específica para “vagas”. Outros times nacionais também carregam títulos importantes, como MIBR, Flamengo eSports, PaiN Gaming, Ex-Brasil Gaming House, entre outros. 

No entanto, mundialmente falando, a organização que mais faturou em 2020, segundo a Forbes, foi a organização americana TSM (SoloMid), seguida da, também americana, Cloud9 Gaming e da europeia Team Liquid. As três possuem ofertas de emprego no site - o inglês está afiado?

Além disso, torneios permitem a inscrição de times ou até mesmo de jogadores individuais, portanto, um olho no peixe, outro no calendário de torneios através do site BolaVip ou de qualquer outro (confiável) que você encontrar por aí. 

“Como em qualquer modalidade esportiva, é fundamental se fazer aparecer para ser conhecido e, assim, chamar a atenção dos investidores e patrocinadores”, conclui o site Atletas Now.

Porém, todo esse esforço pode ser em vão? E-sports dá dinheiro? Finalmente voltamos à pergunta lá do início que vale um milhão de reais.

E-sports dá dinheiro?

Assim como qualquer trabalho, para pro players como o norte-americano, Richard Tyler Blevins, conhecido como Ninja, e o brasileiro, Alexandre Borba Chiqueta, o gAuLeS, a modalidade dá muito dinheiro, mas só depois de muito esforço e dedicação. 

Ainda assim, para a indústria de jogos eletrônicos como um todo, considerando estúdios de desenvolvimento e organizações, os milhões chegam com poucos esforços. 

A título de exemplo, peguemos as três empresas mencionadas acima: as americanas Team (SoloMid) e Cloud9. Ambas alcançaram o valor de mercado de US$ 400 milhões. Já a Team Liquid ocupou o terceiro lugar, batendo US$ 320 milhões.

As competições também batem recordes quando o assunto é dinheiro. Atualmente, a maior premiação de um torneio sozinho foi de US $ 24,6 milhões no The International 7, campeonato mundial de Dota 2 da Valve, em 2017. 

Portanto, para quem está começando, a trajetória pode ser um pouco mais pedregosa, principalmente se considerarmos que o Brasil ainda precisa evoluir e encarar a indústria de e-sports com mais seriedade, como China, Japão, Coreia do Sul, Finlândia, entre outros.

Se considerarmos apenas os entrevistados brasileiros pela PGB21, o retorno financeiro do investimento é baixo. Apenas 30,5% dos entrevistados já ganharam dinheiro em competições. Porém, 90% gastaram apostando na modalidade, o que sugere, entre muitas coisas, que a indústria é popular a ponto de mexer no bolso dos brasileiros.

E aí, ficou afim de se tornar um pro player? Agora você já sabe por onde começar. 

Até a próxima!