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Confira a entrevista e saiba mais sobre a instituição, a inclusão social de deficientes e o Telecentro com Acessibilidade Total, que está sendo montado no EFORT com o apoio da VIVO.
Qual a proposta do Instituto EFORT? Desenvolver e manter projetos educativos e profissionalizantes, visando a inclusão social de pessoas com necessidades educativas especiais, sejam elas portadoras de deficiência, idosas ou jovens com dificuldade de aprendizagem. Seu modelo de sustentabilidade inclui a prestação de serviços técnicos de gerenciamento de projetos, de pesquisa e desenvolvimento nas áreas de energia, informática, telecomunicações e meio ambiente, para pessoas jurídicas públicas e privadas, além de parcerias, que garantem a continuidade dos projetos.
Além de acesso à tecnologia, o que o EFORT vem realizando na área social? Oferecemos aulas de arteterapia, musicoterapia, coral, dança clássica e moderna, capoeira especial, apoio escolar, teatro, orientação vocacional, colocação no mercado de trabalho, jardinagem e orientação familiar. Mais 8.100 pessoas já passaram por esses projetos desde a criação do Instituto EFORT, em 2001. Hoje, atendemos uma média de 1.720 pessoas por mês. São mais de 11 mil atendimentos por ano. Quem são os principais parceiros do EFORT e qual o papel de cada um dentro do projeto do primeiro Telecentro com Acessibilidade Total? Estamos ao lado da VIVO, da Prefeitura de São Paulo e da Furnas. A Furnas mantém nossa infra-estrutura. A Prefeitura trouxe para o nosso projeto de inclusão digital o sistema operacional Linux, que é fornecido gratuitamente. E para atender os portadores de deficiência, contamos com o apoio da VIVO, que está fornecendo todos os tipos de materiais didáticos e softwares especiais, TV, aparelhos de som, cadeiras e mesas, computadores adaptados, amplificadores e plataformas elevatórias. A VIVO também repôs os dezoito computadores roubados da antiga sede do Instituto EFORT, e ainda financiou um sistema de segurança para a nova sede.
Como atender em um mesmo Telecentro vários públicos com necessidades diferentes? Pesquisamos os softwares mais modernos do mundo para montar estações de trabalho. Cada estação será dedicada a um tipo de deficiência. Os cegos, por exemplo, usam um software com voz sintetizada que lê a tela do computador, à medida que o usuário movimenta o mouse e digita. Já o deficiente visual usa lupas especiais eletrônicas, que aumentam em até 100 vezes o tamanho da letra, bem como ajusta a luminosidade da tela, além da impressora Braille. O cadeirante conta com rampas, banheiros e salas adaptadas e uma plataforma elevatória para acesso ao auditório, situado no primeiro andar. Existem ainda pessoas com deficiências nos membros superiores, que precisam de aparelhos especiais para adequar o movimento das mãos ao teclado.
Levando em conta sua experiência ao lado da iniciativa privada, a senhora acredita que hoje as empresas estão mais preocupadas com a inclusão social de portadores de deficiência? A lei que estabelece uma cota de pessoas com deficiência nas empresas já existe em quase todo o mundo e as corporações estão cada vez mais preocupadas em cumpri-la. No entanto, é comum a iniciativa privada nos procurar com demanda alta e falta de planejamento. Precisamos capacitar os portadores de deficiência para o mercado de trabalho, e isso leva de quatro a nove meses, a depender do curso que iremos oferecer.
Como funciona a capacitação oferecida pelo EFORT? Os alunos passam por um processo profissionalização, principalmente em informática e orientação para o trabalho, incluído a legislação trabalhista, formação de micro empresa e cooperativa. Em seguida, por meio de instituições como o CIEE e o Capacitação Solidária, levamos os alunos para conhecer mercado de trabalho e estagiar nas empresas. Também temos contato direto com as empresas. Reunimos candidato, família e empregador e esclarecemos as dúvidas, frisando a importância de se tratar o deficiente como uma pessoa normal.
Qual a maior dificuldade encontrada nesse processo? Quebrar as barreiras do preconceito e adequar o candidato ao um perfil solicitado pela empresa. Fazemos o possível para que a empresa fique satisfeita e assim evitamos que o funcionário volte para casa frustrado, porque não alcançou as expectativas do empregador.
Qual a sua recomendação para a empresa que está aberta à inclusão de portadores de deficiência? Primeiro, a empresa deve verificar se a lei de cotas está sendo cumprida. Se não, é importante identificar atividades onde é possível explorar muito bem o potencial dos deficientes. Como eles gostam de atividades repetitivas, podem trabalhar com embalagens, por exemplo. Percebemos também que os cegos desenvolvem bastante a comunicação oral. Portanto, são indicados para call centers. Os cadeirantes costumam desenvolver boas habilidades em programação. Já os surdos adoram digitar, pois se concentram facilmente, e também podem atuar em fábricas que produzem muito barulho. Se a empresa tem sensibilidade para descobrir esses e outros potenciais, certamente fará o trabalho de um deficiente render muito. As vagas podem ser oferecidas a instituições que capacitam o profissional, além de acompanhar e orientar o empregador e seus funcionários, treinando a comunicação e o relacionamento com o deficiente.
Na prática, o que as empresas ganham com essa abertura? Adquirem visibilidade, contribuem para a inclusão social e também ganham um profissional muito produtivo. Geralmente os portadores de deficiência são muito interessados no trabalho, porque sabem que as oportunidades são poucas. Eles procuram oferecer o máximo que podem para manter o emprego.
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