Há dois anos e meio, ele está à frente do Parque Nacional do Iguaçu (PR), paraíso natural incrustado na fronteira Brasil-Argentina-Paraguai. Hoje, considera que o maior desafio da sua carreira é transformar as comunidades do entorno em “Guardiões do Parque”.
O Parque Nacional do Iguaçu é um dos mais freqüentados do Brasil – em 2005, esperam-se cerca de um milhão de visitantes. Ao mesmo tempo, é o único que mantém em sua estrutura uma escola de educação ambiental, conhecida como Escola Parque.
Lá, os monitores do Ibama realizam uma série de ações ambientais com as comunidades da região. Com o apoio do Instituto VIVO, mais duas bases da Escola Parque foram criadas este ano. Confira:
O Parque Nacional do Iguaçu foi um dos primeiros a abrir suas portas para investidores privados. Quando isso aconteceu e por qual motivo?
Entre 1999 e 2000, estabelecemos parcerias nas áreas de turismo e ecoturismo, concedendo os serviços ligados a alimentação, loja, transporte, trilhas e passeios de barcos. Isso porque as atividades turísticas não são o fim do IBAMA – seus maiores objetivos são conservar e preservar os ambientes naturais e promover a educação ambiental.
Como o investimento privado é administrado e aplicado pelo Parque?
As empresas concessionárias são responsáveis diretas pelas atividades e repassam mensalmente um valor para o Ibama. Cabem ao ParNa Iguaçu o monitoramento, fiscalização e acompanhamento rotineiro dessas atividades.
O Parque também é o único a manter uma escola de educação ambiental em sua estrutura. O que motivou a criação da escola?
Vamos falar do início: construída com recurso do Instituto Nacional do Pinho e aberta em 1963, a Escola Estadual Parque Nacional do Iguaçu surgiu como uma escola tradicional, voltada para os filhos de empregados e comunidade do entorno. Em 1966, seu nome mudou para Escola Estadual Major José Acilino de Castro. Funcionou até 1998, quando foi classificada pela Secretaria Municipal de Educação como inviável economicamente, por conta do número reduzido de alunos. O imóvel foi então entregue ao Ibama. Em 2000, incorporado ao patrimônio do ParNa Iguaçu, ganhou o nome de Escola de Educação Ambiental do Parque Nacional do Iguaçu. Hoje, popularmente conhecida Escola Parque, é a única escola ambiental que funciona no interior de uma Unidade de Conservação, com a missão de sensibilizar a comunidade e assim contribuir para a preservação do Parque.
Quantas pessoas já passaram pela Escola Parque e qual a meta para 2005?
A Escola Parque recebeu cerca de 24 mil pessoas em 2004, que participaram de atividades de sensibilização e conscientização ambiental. Essas ações são desenvolvidas por meio de visitas técnicas, com o acompanhamento de monitores ambientais, e de cursos de capacitação, voltados para professores da rede pública de ensino dos 14 municípios que compõem o entorno do ParNa Iguaçu. A meta para 2005 é manter este número de visitas técnicas e capacitar mais 200 professores.
Além disso, a parceria com o Instituto Vivo possibilitou a abertura de mais duas bases da Escola Parque, uma no município de Matelândia e outra em Capanema, locais estratégicos no processo de aproximação entre o Parque e a comunidade.
Que resultados qualitativos a Escola Parque apresentou nesses cinco anos de existência?
A relação com as comunidades melhorou muito nestes últimos dois anos de trabalho, graças às ações de educação ambiental da Escola Parque. Atualmente, já existem demandas. Os municípios vizinhos nos enviam propostas de ações ambientais, como concursos, teatros, gincanas, limpeza de rios, cursos e palestras.
Além da Escola Parque, o que tem sido feito para sensibilizar as comunidades?
Temos o Programa de Desenvolvimento do Turismo Sustentável no entorno do Parque Nacional do Iguaçu, que visa ao desenvolvimento econômico e social dos municípios, de forma sustentável. O programa promove o ecoturismo e o turismo rural, estimulando o comprometimento das comunidades com as questões ambientais.